Carta do Economista: Política comercial dos Estados Unidos gera incertezas e volatilidade

Por Arilton Teixeira*

Em março, não tivemos alterações no cenário da China, Zona do Euro e Reino Unido (UK).  Mas, nos EUA, o cenário foi marcado por volatilidade. As idas e vindas da política comercial gerou incertezas quanto a inflação, juros e crescimento (recessão?), derrubando o preço das empresas no início do mês. Em meados do mês, a reunião do Fed e dados permitiram uma retomada na valorização dos ativos, cuja manutenção vai depender da redução das incertezas com as tarifas.

No Brasil, a aprovação do orçamento de 2025 gerou novas discussões sobre a confiabilidade dos resultados. Mas, a perda de atratividade dos ativos dos USA, permitiu a retomada da entrada de capital estrangeiro no Brasil, levando a valorização do Ibovespa e do real.

Mercado Externo

Em março não tivemos alterações no cenário de crescimento, inflação e juros na China, Zona do Euro e UK. A grande alteração foi nas expectativas de crescimento para a economia dos USA devido a incerteza com as tarifas. Tivemos queda nas expectativas de crescimento (recessão talvez) e incertezas quanto a inflação, gerando aumento da volatilidade.

Neste novo cenário de crescimento e inflação, os ativos dos USA (“treasuries” e empresas), que vinham atraindo capital desde a eleição de Trump, reduzem as expectativas de ganhos. Há realocação de capital, que sai dos USA e vai para outros mercados (Brasil incluso), levando a valorização das empresas nos demais mercados, enquanto as empresas nos EUA  e o dólar perdem valor.

No decorrer do mês, os dados reduzem os receios de recessão nos USA e o Fed mantem sua expectativa de dois cortes de juros para 2025. Com isto, em fins de março, os juros de longo prazo voltam a abrir, as empresas e o dólar revertem parte das perdas. Mas, com a incerteza das tarifas, veremos frequente inversão de tendências nos preços dos ativos (volatilidade), que tendem a continuar até que estas incertezas sejam reduzidas ou eliminadas.

Mercado Interno

Segundo o Focus, para 2025, a inflação esperada é 5.65% (era de 5.60% há um mês). O crescimento esperado está em 1.97% (era de 2.01 há um mês). Já a Selic esperada para dezembro de 2025 está em 15% (sem alterações).

Os dados mantem sinalização de crescimento menor em 2025. Os PMIs de manufaturas e serviços (fevereiro), o IBC-BR (janeiro) têm altas e a criação de empregos (fevereiro) foi acima do esperado. Já as vendas no varejo e serviços tiveram nova queda em janeiro.

A inflação continua em elevação. O IPCA de fevereiro teve alta anual de 5.06% e o IPCA-15 de março foi de 5.26%. Com isto, o COPOM, em sua reunião de março, sinalizou novos aumentos de juros em 2025.

Quanto ao risco fiscal, não houve alterações.  A aprovação do orçamento de 2025 gerou novos questionamentos sobre a confiabilidade das previsões.

Para 2025, as perspectivas de crescimento e dos preços dos ativos continuam dependendo: (i) da estabilidade política interna e do avanço das reformas; (ii) do controle do risco fiscal e tributário; (iii) da política monetária e comercial nos USA.

A mudança do cenário americano discutida acima, gerou realocação de capital, aumentando o fluxo para o Brasil e possibilitando valorização das empresas e do real. Mas, se o risco fiscal voltar a pressionar, devemos ter interrupção ou mesmo reversão desta valorização.

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*Economista-chefe da Apex